{"id":151,"date":"2024-11-06T17:01:08","date_gmt":"2024-11-06T20:01:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.psiflaviaverceze.com.br\/blog\/?p=151"},"modified":"2025-02-04T19:23:26","modified_gmt":"2025-02-04T22:23:26","slug":"quando-uma-analise-chega-ao-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.psiflaviaverceze.com.br\/blog\/quando-uma-analise-chega-ao-fim\/","title":{"rendered":"Quando uma an\u00e1lise chega ao fim?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que significa o t\u00e9rmino de um processo anal\u00edtico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Existe \u201calta\u201d na an\u00e1lise? O sujeito sai curado? Curado do qu\u00ea?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo de an\u00e1lise \u00e9 algo que acontece na transfer\u00eancia, que segundo Freud \u00e9 um tipo de amor, o amor de transfer\u00eancia. A transfer\u00eancia \u00e9 um deslocamento afetivo que cria um novo fato, construindo um passado no presente. A transfer\u00eancia \u00e9 um passo necess\u00e1rio para o processo anal\u00edtico, um instrumento motor da dire\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise. Essa transfer\u00eancia pode se configurar de diversas maneiras.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que a transfer\u00eancia implica o analista, a quest\u00e3o \u00e9 saber de que maneira este responde ao apelo do dito amor do paciente. Isto \u00e9, como o analista responde a esse lugar que lhe \u00e9 dado pelo paciente?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lacan, diferentemente de Freud, n\u00e3o acha que essa transfer\u00eancia precisa ser interpretada e comunicada ao paciente. O risco dessa manobra de interpretar a transfer\u00eancia est\u00e1, portanto, em manter a an\u00e1lise na preval\u00eancia do simb\u00f3lico subordinada ao discurso do mestre. Em outras palavras: do analista assumir um lugar de mestre, de um modelo a ser seguido. N\u00e3o se deve estabelecer rela\u00e7\u00f5es de poder entre o profissional e o paciente. O discurso do paciente deve ocupar um lugar de destaque para que ele consiga alcan\u00e7ar respostas \u00e0s suas pr\u00f3prias quest\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo, &#8220;<em><strong>o objetivo de uma an\u00e1lise \u00e9 ajudar o analisando a ganhar uma maior familiaridade com o seu mundo interno, com o seu universo ps\u00edquico.<\/strong> Nesse sentido, a an\u00e1lise \u00e9 intermin\u00e1vel, n\u00e3o h\u00e1 interrup\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se espera que o analisando saia \u201ccurado\u201d, que saia sem \u201catuar\u201d <em>(Yeda Saigh)<\/em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto \u00e9, o processo anal\u00edtico enquanto um conhecimento do inconsciente, enquanto um processo de an\u00e1lise de si, n\u00e3o se finda. N\u00e3o h\u00e1 cura do pr\u00f3prio inconsciente. \u00c9 claro que pode e, algum sentido \u00e9 desejavel que haja cura de sintomas, mas esse n\u00e3o \u00e9 o objetivo principal de uma an\u00e1lise. Geralmente isso \u00e9 o que leva algu\u00e9m at\u00e9 a an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cMas n\u00e3o podemos fugir de n\u00f3s mesmos, contra o perigo interno n\u00e3o h\u00e1 fuga poss\u00edvel\u201d<\/em> Freud ([1937] 2021, p. 342).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mas ent\u00e3o, quando um processo anal\u00edtico chega ao fim?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao meu ver, a an\u00e1lise chega ao seu fim quando o analista vai deixando se ser um &#8220;objeto&#8221; idealizado do analisante\/paciente, quando esse vai podendo tecer cr\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o ao analista e quando se percebe precisando cada vez menos desse &#8220;objeto idealizado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em palavras mais simples, quando o analista deixa de ser necess\u00e1rio e passa a ser cada vez menos importante. Isto \u00e9, quando nos tornamos desimportantes aos nossos pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o exista um afeto e at\u00e9 mesmo um carinho pelo analista, mas o sujeito percebe que pode continuar a caminhar sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 evidente que ainda haver\u00e1 quest\u00f5es, o inconsciente n\u00e3o se finda. Esse analisando pode vir a procurar o mesmo analista outras vezes ou mesmo um outro analista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>&#8220;O que termina \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o analista-analisando, a situa\u00e7\u00e3o de an\u00e1lise. T\u00e9rmino esse que depender\u00e1 da hist\u00f3ria de cada an\u00e1lise&#8221; (Yeda Saigh).<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Psic\u00f3loga e psicanalista Fl\u00e1via Verceze.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que significa o t\u00e9rmino de um processo anal\u00edtico? Existe \u201calta\u201d na an\u00e1lise? 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